sexta-feira, 21 de julho de 2017

















quinta-feira, 20 de julho de 2017

Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec


INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS  MUNDOS ADIANTADOS E MUNDOS ATRASADOS  

8. A qualificação de mundos primitivos e de mundos evoluídos é antes relativa do que absoluta. Tal mundo é primitivo ou evoluído em relação àqueles que estão na frente ou atrás dele na escala progressiva. Tomando a Terra como ponto de comparação, pode-se fazer uma ideia do estado de um mundo primitivo, supondo nele o encarnado no grau das raças selvagens, ou de nações bárbaras que ainda se encontram em sua superfície, e que são os restos do seu estado primitivo. Nos mais primitivos ainda, os seres que os habitam são, de alguma sorte, rudimentares: eles têm a forma humana, mas sem nenhuma beleza. Seus instintos não são temperados por nenhum sentimento de delicadeza ou de benevolência, nem pelas noções do justo e do injusto. Só a força bruta faz a lei. Sem indústria, sem invenções, gastam a vida física na conquista da sua nutrição. Entretanto, Deus pela Sua Lei, não abandona nenhuma das suas criaturas. No fundo da semente da inteligência, jaz, latente, mais ou menos desenvolvida, a vaga intuição de um Ser Supremo. Esse instinto basta para torná-los superiores, uns aos outros, e preparar sua eclosão para uma vida mais completa. Porque não são seres esquecidos, mas crianças que crescem. Entre esses graus primitivos e os mais evoluídos, há inumeráveis escalões, e nos Espíritos puros e perfeitos, desmaterializados e resplandecentes de luz, se tem dificuldade em reconhecer aqueles que animaram esses seres primitivos, da mesma forma que, no humano adulto, se tem dificuldade em reconhecer o embrião.  
9. Nos mundos que atingiram um grau evolutivo maior, as condições da vida moral e física são bem diferentes que as na Terra. A forma do corpo físico é sempre, como por toda parte, a forma humana, mas embelezada, aperfeiçoada e, sobretudo, purificada. O corpo físico nada tem da materialidade terrestre, e não está, por essa razão, sujeito nem às necessidades animais, nem às doenças, nem aos desequilíbrios que trazem a predominância das coisas materiais. Os sentidos, mais delicados, têm percepções que a grosseria dos órgãos físicos sufoca neste mundo. A leveza específica dos corpos físicos torna a locomoção rápida e fácil. Em lugar de se arrastar penosamente sobre o solo, ele desliza, por assim dizer, na superfície, ou plana na atmosfera sem outro esforço senão o da vontade, à maneira pela qual se representam os Espíritos puros e perfeitos, ou pela qual os antigos imaginavam os Espíritos nos Campos Elíseos (Paraíso). Os  Espíritos conservam, à vontade, os traços de suas encarnações passadas e aparecem aos seus amigos tal como os conheceram, mas iluminados por uma luz cristalina, transfigurados pelas impressões interiores, que são sempre elevadas. Em lugar de rostos pálidos, devastados pelos tormentos e pelos errados desejos, a inteligência e a vida física irradiam esse clarão que os pintores traduziram pelo nimbo ou auréola dos puros e perfeitos Espíritos. A pouca resistência que a matéria oferece aos Espíritos corretos torna o desenvolvimento do corpo físico mais rápido e a infância curta ou quase nula. A vida física isenta de perturbações e de angústias, é proporcionalmente muito mais longa que na Terra. Em princípio, a longevidade é proporcional ao grau de evolução dos mundos. O desencarne não tem nada dos quadros da decomposição. Longe de ser um objeto de medo, ele é considerado como uma transformação feliz, porque a dúvida sobre o futuro não existe. Durante a vida física, não estando o Espírito encerrado na matéria compacta, irradia e goza de uma lucidez que o coloca num estado quase permanente de emancipação, e permite a livre transmissão do pensamento. 
10. Nesses mundos adiantados, as relações de povo a povo, sempre amigáveis, jamais são perturbadas pela ambição de dominar seu vizinho, nem pela guerra que lhe é consequência. Não há nem senhores, nem escravos, nem privilégios de nascimento. Só a superioridade do conhecimento e da moral estabelece a diferença das condições e dá a supremacia. A autoridade é sempre respeitada, porque não é dada senão a quem tem mérito, e se exerce sempre com justiça. O humano não procura se elevar acima do humano, mas acima de si mesmo, aperfeiçoando-se. Seu objetivo é chegar à classe dos Espíritos puros e perfeitos, e esse desejo incessante não é um tormento, mas uma nobre ambição que o faz estudar e trabalhar com ardor para chegar a igualá-los. Todos os sentimentos ternos e elevados da natureza humana se encontram aumentados e purificados. Os ódios, os ciúmes, as baixas cobiças da inveja são ali desconhecidas. Um laço de amor e de fraternidade une todos os humanos. Os mais fortes ajudam os mais fracos. Eles possuem mais, ou menos, segundo tenham mais, ou menos, adquirido pela sua manifestação inteligente ‘trabalho’, mas ninguém sofre por falta do necessário, porque ninguém está em resgate. Numa palavra, ali o erro não existe.  
11. Em vosso mundo, tendes necessidade do erro para sentir o certo, da escuridão para admirar a luz, da doença para apreciar a saúde. Nos mundos evoluídos, esses contrastes não são necessários. A eterna luz, a eterna beleza, a eterna serenidade do Espírito, proporcionam uma eterna alegria que não são perturbadas nem pelas preocupações da vida material, nem pelo contato dos errados, que ali não tem acesso. Eis o que o Espírito terreno tem mais dificuldades em compreender. Ele foi engenhoso para pintar os tormentos do Umbral, e não pode jamais representar as alegrias do mundo espiritual. E por que isso? Porque, sendo de pouca evolução, sofre tormentos e misérias, e não entreviu as claridades celestes. Não pode falar daquilo que não conhece. Mas, à medida que se eleva e se depura, o horizonte se ilumina, e ele compreende o certo que tem diante de si, como compreendeu o erro que conseguiu suplantar.
12. Entretanto, esses mundos afortunados não são mundos privilegiados, porque Deus não é parcial para com nenhum de seus filhos. Ele deu a todos os mesmos direitos e as mesmas facilidades para atingi-los. Faz com que todos partam do mesmo ponto e não dota a ninguém mais do que aos outros. As primeiras posições são acessíveis a todos. Cabe-lhes conquistá-las pelo trabalho, alcançá-las o mais cedo possível, ou arrastar-se durante séculos e séculos, em reencarnações, nas classes menos evoluídas da Humanidade.

Por meio dessa passagem podemos ter uma noção não apenas a respeito da pluralidade dos mundos como da peculiaridade de cada um e onde o Planete Terra se encontra.
Vejamos os mais adiantados planos são habitados por espíritos adiantados moralmente falando, cuja perfeição quase que absoluta já foram alcançados.
Nestes planos a beleza, o adiantamento moral, social, a verdade fazem-se presentes.
Enquanto nos mundos menos adiantados é exatamente o oposto, são habitados por seres bárbaros, cruéis, cuja loucura faz-se presente.
Os prédios e demais construções são quase semelhantes as que aqui encontramos porém são feios, horrendos e destruídos.
Algo semelhante a prédios destruídos em guerras, a imundície faz-se presente por onde quer que se ande.
O amor, a solidariedade e o respeito cedem seus nobres lugares a sentimentos animalescos como ódio e perversão de toda sorte e natureza.
Quanto ao nosso Planeta, o mesmo se encontra em um plano intermediário.
Ou seja: existem ambientes maravilhosos, refinados porém existem ambientes lúgubres, sujos.
Existem pessoas de moral elevada, que não se permitem seduzir pelas paixões humanas, são integras em tudo o que fazem, em contrapartida existem pessoas torpes, criminosos de toda sorte e natureza.
A única coisa que iguala todos os planos, os mundos é quanto aos privilégios, nenhum tem privilégio sobre o outro, todos são igualmente tratados e igualmente visto por Deus.
Uma vez que Deus é soberanamente justo e imparcial.
A misericórdia e a justiça com trata o justo trata igualmente o criminoso cabendo como única acepção o mundo a que serão destinados após seu desencarne.
Deus é soberanamente magnânimo porém justo.
Não pode destinar a um plano superior quem não merece, uma pessoa cuja vida fora regrada, pautada pelos prazeres carnais, luxuria, ganância, crimes, vícios.
Seria como enviar um paciente tuberculoso a uma enfermaria comum.
Deus nos trata de acordo com nossos reais merecimentos.
Diferentemente de nós que achamos que morreu virou santo, a melhor pessoa do mundo, marido fiel, pai zeloso.
Deus nos deu livre arbítrio. Ou seja, podemos fazer o que quisermos.
Mas uma hora ou outra a morte chega e com ela o justo salário.
Diferentemente do que algumas denominações pregam Deus não poupa o rico e o pobre, o crente e o ateu, o fiel ou infiel todos indistintamente hão de comparecer ante o justo juiz e receber a justa pena ou absolvição simples assim.
Ninguém passa impune ante a justiça divina.